O mistério de nós próprios

Há um mundo a ser descoberto nos bastidores da mente humana; um mundo rico, sofisticado e interessante; um mundo que existe para além da massificação da cultura, do consumismo, da cotação do dólar, da tecnologia, da moda, do estereótipo da estética. Procurar conhecer este mundo é uma aventura indescritível.
A jornada mais interessante que o ser humano pode empreender não é a que ele faz quando viaja pelo espaço ou quando navega pela Internet. Não! A viagem mais interessante é a que ele empreende quando se interioriza, quando caminha pelas avenidas do seu próprio ser e procura as origens da sua inteligência e os fenómenos que realizam o espectáculo da construção de pensamentos e da «fábrica das emoções».
(...) Nunca mais seremos os mesmos depois de realizarmos esta jornada intelectual, pois começaremos a repensar e a reciclar as nossas posturas intelectuais, as nossas verdades, os nossos paradigmas socioculturais, os nossos preconceitos existenciais. (...) A nossa visão sobre os direitos humanos sofre uma revolução intelectual, pois começamos a compreender e a apreciar a teoria da igualdade a partir da construção da inteligência. Começamos a perceber que todos os seres humanos possuem a mesma dignidade intelectual, pois mesmo um africano, vivendo na mais dramática miséria, possui a mesma complexidade no que se refere aos processos de construção da inteligência que os intelectuais mais brilhantes das universidades.
Somos diferentes? Sim, o material genético apresenta diferenças em cada ser humano; o ambiente social, económico e cultural também apresenta inúmeras variáveis na história de cada um. Porém, todas essas diferenças se encontram na ponta do grande icebergue da inteligência.

CURY, Augusto (2007). Inteligência Multifocal. Análise da Construção dos Pensamentos. Cascais: Pergaminho.

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